artistas

Abdoullaye Konaté

Nasceu em Diré / Mali, em 1953.

Estudou pintura no Institut National des Arts em Bamako e, mais tarde, no Institut Supérieur des Arts, Havana / Cuba, onde viveu durante sete anos, antes de regressar ao Mali.

Abdoulaye Konaté é um artista maliano que combina a suspensão, a montagem, o tingimento e a escultura para obter uma elevada recordação e uma forte presença no espaço. Com tecidos, tons acinzentados, projéteis, roupas usadas ou areia, surge no teatro e no mundo da arte contemporânea pela porta espiritual ou política. Ele reflete uma consciência coletiva maliana, africana e universal.

Atualmente, o seu trabalho assume principalmente a forma de instalações baseadas em têxteis que exploram questões sociopolíticas e ambientais. O artista questiona a forma como as sociedades e os indivíduos, dentro e fora do Mali, têm sido afetados por fatores como a guerra, as lutas pelo poder, a religião, a globalização, as alterações climáticas e a epidemia da SIDA. Ao utilizar materiais originários do Mali, nomeadamente tecidos e panos tingidos e cosidos em conjunto, o artista cria composições em larga escala, abstratas e figurativas. Konaté refere-se às tradições da África Ocidental do uso de têxteis como um meio de comemoração e comunicação, equilibrando reflexões políticas e sociais globais com referências à sua própria história local e cultural.

A obra de Konaté tem sido exibida em inúmeras exposições internacionais. As mais importantes mostras coletivas incluem a Documenta 12, em Kassel (2007), a digressão internacional Africa Remix incluindo o Centro Pompidou, Paris e a Hayward Gallery, em Londres (2004-2007) e, mais recentemente, The Divine Comedy, Heaven, Hell, Purgatory revisitada por Artistas Africanos Contemporâneos no Frankfurt Museum für Moderne Kunst, em Frankfurt (2014). Em 2008, Konaté foi nomeado para o Prémio Artes Mundi, em Cardiff. Obteve diversas distinções, incluindo o prestigiado Prémio Leopold Senghor na Bienal Dak’Art em Dakar (1996), a Officier de l’Ordre National du Mali (2009) bem como o Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres de France (2002). Atualmente, ocupa o cargo de diretor geral do Conservatoire des Arts et Métiers Multimédia Balla Basseké Kouyaté em Bamako. Konaté vive e trabalha em Bamako / Mali.

Alexandra Karakashian

Nasceu em Joanesburgo / África do Sul, em 1988.

É uma artista sul-africana a viver na Cidade do Cabo, África do Sul.

O seu trabalho é o resultado da sua história pessoal e familiar e reflete os atuais problemas relativos ao exílio, migração e estatuto dos refugiados. O processo e a materialidade são fundamentais na sua prática. Utilizando óleo de motor e sal como materiais de pintura, promove o debate ecológico, a instabilidade ameaçadora e o colapso subtil, bem como o aproveitamento imoral dos recursos, particularmente num continente africano repleto de riquezas naturais. Além disso, aprofunda conceitos de luto – tanto de natureza individual como coletiva – e o lamento pela perda de terras e por aqueles que ficaram ‘sem abrigo’.

A sua obra está presente em coleções públicas e privadas, incluindo a Galeria Nacional Iziko de Arte Sul-Africana, na África do Sul, a Coleção Spier na África do Sul, a Coleção Darvesh nos EAU, a Royal Portfolio Collection, na África do Sul, e a Coleção Luciano Benetton, em Itália.

António Ole

Nasceu em Luanda / Angola, em 1951.

Estudou Cultura e Cinema Afro-Americano na Universidade da Califórnia em Los Angeles, e desenvolveu durante cinco décadas um trabalho eclético que inclui desenho, pintura, colagem, escultura, instalação, fotografia, vídeo e cinema.

António inspira-se na arte tradicional como estímulo para desenvolver um discurso contemporâneo adequado à sua época e às circunstâncias. Os elementos que o artista utiliza nas suas obras evocam o período colonial, a escravidão, a guerra, a destruição, a natureza humana, a capacidade de resistência e de sobrevivência.

Como artista plástico, António Ole destacou-se pelas suas esculturas inspiradas nos murais dos Tchokwe, a leste do país, e pela pintura contemporânea que incorpora muitos elementos tradicionais, que o tornam um dos mais fortes promotores internacionais da cultura angolana.

António Ole expõe regularmente desde 1994.

As suas exposições individuais incluem “António Ole: marcas de um percurso (1970-2004)", Culturgest, Lisboa, 2004; 2009, "Hidden Pages", Iwalewa-Haus, Bayreuth, Alemanha; e “Angola, Figures de Pouvoir”, no Musée Dapper, Paris, de 2010 a 2011.

Para além de várias exposições individuais, as obras de António Ole integraram várias outras mostras coletivas, entre as quais: “The Short Century”, no Martin-Gropius-Bau, Berlim, no Museu de Arte Contemporânea de Chicago; “Body of Evidence”, no National Museum of African Art - Smithsonian, Washington, em 2007; “Africa Remix”, em exibição de 2004 a 2007, no Kunstpalast Museum, Düsseldorf, na Hayward Gallery, Londres, no Centre Georges Pompidou, Paris, no Mori Art Museum, Tóquio, no Moderna Museet, Estocolmo e na Galeria de Arte de Joanesburgo.

Buhlebezwe Siwani

Nasceu em Joanesburgo / África do Sul, 1987.

É uma artista multidisciplinar conhecida por seu trabalho em arte performática , instalações e stills fotográficos, pinturas sobre tela e sobre papel.

Siwani fez o seu BAFA (hons) na Wits School of Arts em Joanesburgo (2011) e o seu MFA na Michaelis School of Fine Arts (2015), onde se graduou ‘’ cum laude’’.

A artista trabalha predominantemente no meio da performance e instalações. usa também vídeos e fotos para representar o seu corpo fisicamente ausente do espaço. O seu trabalho foi descrito como "revelador" e "político", cobrindo temas da feminilidade e espiritualidade negra.

O trabalho de Siwani interroga o enquadramento patriarcal do corpo feminino negro e a experiência feminina negra no contexto sul-africano. Como uma Sangoma iniciada, uma curandeira espiritual que trabalha no espaço da morte e dos vivos, Siwani concentrou sua prática artística na ritualidade e na relação entre o Cristianismo e a espiritualidade africana. No centro do seu trabalho está o seu próprio corpo, que opera em múltiplos registos como sujeito, objeto, forma, meio, material, linguagem e lugar. O seu trabalho pode ser descrito, embora não literalmente, como a documentação de um conjunto diversificado de performances, que se realizam através de vídeo, fotografia, escultura, instalação e trabalhos sobre tela e sobre papel. Cada um dos seus projetos trata da relação entre rituais ancestrais e a vida moderna, abordando temas sociais e políticos, como corpo feminino, comunidades negras, histórias de colonização e os paradoxos de nossa sociedade contemporânea, todos vistos pelo filtro da própria artista.

Buhlebezwe Siwani foi a vencedora do Prêmio Standard Bank Young Artists de 2021 na categoria Artes Visuais.

Ela vive e trabalha entre Amsterdão e a Cidade do Cabo.

Ernest Mancoba

Nasceu em Joanesburgo / África do Sul, em 1904. Morreu em Clamart / França, em 2002.

Nasceu e cresceu como um homem negro no apartheid sul-africano.

Em 1938 mudou-se para Paris para poder estudar e, como mais tarde escreveu num texto a respeito do 90º aniversário do artista dinamarquês Ejler Bille, para trabalhar e acima de tudo para poder pensar livremente enquanto artista. Em Paris, Mancoba descobriu a colónia de artistas dinamarqueses e rapidamente se juntou ao círculo CoBrA. Em 1942, casou-se com a artista dinamarquesa, Sonja Ferlov Mancoba. Participaram ambos na exposição Høstudstillingen em Copenhaga, em 1948 e 1949.

A obra de Ernest Mancoba representa uma síntese singular da arte moderna europeia e do espírito africano. O seu objetivo era trazer para a arte europeia o seu profundo entendimento da cultura africana, representada por totens que são constantes nos seus desenhos, e por pinturas que refletem a filosofia ubuntu que resumiu nos seguintes termos: um ser humano é humano por si e pelos outros. Após o fim do apartheid, Mancoba foi homenageado através de importantes retrospetivas na Galeria Nacional da Cidade do Cabo e no Museu de Arte Moderna em Joanesburgo.

Grada Kilomba

Nasceu em Lisboa / Portugal, em 1968.
Tem raízes em São Tomé e Príncipe e Angola.

Mais

É escritora, académica e artista interdisciplinar, com um percurso ativo no panorama artístico de Berlim, cidade onde vive e trabalha.

Mais

O seu trabalho aborda questões de género e raça, e noções de trauma e memória, quer no âmbito das problemáticas atuais sobre o colonialismo e o pós-colonialismo no início do séc. XXI, quer para investigar a relação ambígua entre a memória e o esquecimento, o imaginário coletivo e a identidade africana e as suas diásporas. Evocando as tradições orais africanas e o seu poder de perpetuar a palavra falada, a obra da artista dá voz a narrativas silenciosas, com o intuito de reescrever e recontar uma história que tem sido ignorada e desconsiderada.

Kilomba tem vindo a explorar práticas pouco convencionais, experimentais e interdisciplinares, utilizando e combinando diferentes meios de expressão; as performances e a videoinstalação, as leituras e as palestras, criam uma interface entre texto e imagem, entre linguagem artística e académica. Mostrando o seu trabalho pela primeira vez em Portugal, a artista apresenta Secrets to Tell no MAAT — Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia. Inaugurando o nosso espaço do Project Room, a exposição tem início com a videoinstalação The Desire Project, uma obra concebida especialmente para a 32ª Bienal de São Paulo (2016), que é também uma das mais recentes aquisições da Coleção de Arte da Fundação EDP. Adaptada para o MAAT, à nova instalação desta obra juntou-se uma versão em vídeo da leitura encenada do livro de Kilomba Plantation Memories, publicado em 2008, e Kosmos2, Labor #10: Video Installation, um de uma série de debates que a artista tem vindo a realizar no Maxim Gorki Theatre, em Berlin, com artistas “refugiados” que exploram formas originais e subversivas de produção de novos trabalhos.

Hank Willis Thomas

Nasceu em Plainfield / Nova Jersey, em 1976. Cresceu em Nova Iorque.

Trata-se de um fotógrafo conceptual, cujo trabalho aborda questões de identidade, políticas, de cultura popular e de meios de comunicação social, no contexto das relações americanas entre raças.

Obteve um bacharelato em fotografia e estudos Africanos na Tisch School of the Arts da Universidade de Nova Iorque (1998), um mestrado em fotografia e ainda um mestrado em crítica visual, do College of the Arts da Califórnia, em São Francisco (2004).

A base do trabalho de Thomas é a construção de diálogos em torno de imagens estereotipadas de afro-americanos, que os meios de comunicação exploraram e são fonte de lucro para a indústria cinematográfica e da televisão, mediante publicidade para álcool, vestuário, comida, produtos para o cabelo e tabaco, entre outros. Thomas situa as fotografias no seu contexto histórico e aborda o modo como estes estereótipos têm influenciado a cultura americana desde o período anterior à guerra civil. Particularmente interessante, na coisificação literal e figurativa do corpo masculino afro-americano, a série B®anded de Thomas (2006) na qual o autor utiliza cópias publicitárias às quais sobrepõe o logotipo da Nike em corpos de homens negros, evocando a marcação dos escravos pelos seus proprietários. A série Unbranded: Reflections in Black by Corporate America (2005–08) foi uma resposta direta ao projeto B®anded. Transpondo maioritariamente anúncios de revistas de afro-americanas a partir de 1968, durante o movimento dos direitos civis até à atualidade, Thomas despojou digitalmente as imagens de todos os logotipos e textos. Ao fazer isto, permitiu comentários sobre como a indústria publicitária comercializa a identidade afro-americana mesmo com as imagens mais simples. As fotografias de Thomas traçam paralelos entre o passado e o presente e lembram aos espetadores como os símbolos culturais dominantes continuam a moldar noções de raça e relações raciais.

Em 2012, Thomas tornou-se membro do Instituto no Columbia College, em Chicago, como parte do seu projeto em simultâneo de videoinstalação, Question Bridge: Black Males (2012), uma colaboração com os artistas Chris Johnson, Bayeté Ross Smith e Kamal Sinclair. A obra é constituída por um conjunto de entrevistas com centenas de homens afro-americanos por todos os Estados Unidos, documentando os seus pontos de vista sobre diversos assuntos, como a família, o amor, a educação e a comunidade durante o governo de Barack Obama. Thomas tem realizado exposições individuais na Galeria Jack Shainman, em Nova Iorque (2009); Museu de Arte de Baltimore (2009); Galeria Goodman, na Cidade do Cabo, na África do Sul (2010); e a Galeria de Arte Corcoran, em Washington, D.C. (2011). O seu trabalho esteve presente em exposições coletivas, incluindo as do Wadsworth Atheneum, em Hartford, Connecticut (2007); a coleção Rubell Family, em Miami (2008); o Museu de Arte e Design, em Nova Iorque (2010); e a Bienal de Istanbul (2011). A sua primeira monografia, Pitch Blackness (2008), rendeu-lhe o primeiro prémio anual Aperture West Book Prize. Thomas vive e trabalha em Nova Iorque.

Hicham Benohoud

Nasceu em Marraquexe / Marrocos, em 1968. Vive e trabalha em Marraquexe e em Casablanca / Marrocos.

A sua atividade tem como base a cultura e estruturas sociais marroquinas, explorando conceitos de identidade individual e coletiva.

Benohoud iniciou o seu percurso artístico com a fotografia de autorretrato, um meio de expressão que mantém, alargando o seu processo atual com o intuito de incorporar novos e mesclados meios. O humor, o surrealismo, a performatividade e a autodepreciação encenada de um modo inesperado, são elementos recorrentes no seu trabalho.

Os seus trabalhos estão presentes em coleções permanentes de instituições como o Tate Modern, em Londres e o Centro Pompidou, em Paris. As exposições mais recentes de Benohoud incluem The Time is Out of Joint, na Bienal Gwangju (2016); Come Closer, no MACT/ CACT, em Ticino (2016) e Performing for the Camera, no museu Tate Modern, em Londres (2016).

Januário Jano

Nasceu em Angola, em 1979.

Mais

Vive e trabalha em Luanda / Angola e em Londres / Reino Unido.

Mais

É um artista multidisciplinar, que completou a sua formação na Universidade Metropolitana de Londres em 2005 e se encontra a frequentar um Mestrado em Belas Artes na Universidade Goldsmith, em Londres.

A sua pesquisa multidisciplinar abrange pintura, têxtil, performance, instalações sonoras, vídeo e fotografia, permitindo-lhe desenvolver conjuntos relevantes de obras e rituais de trabalho. Januário Jano explora noções opostas da cultura pop moderna e práticas tradicionais, através de diferentes meios escolhidos, que por sua vez vão fazer parte de um vocabulário mais articulado utilizado pelo artista para criar a sua própria gramática: o material define, desde o início, o resultado do trabalho, tanto do ponto de vista estético como narrativo. O corpo desempenha um papel central como motivo principal e abre o caminho a uma ligação entre o presente e o passado para construir uma narrativa histórica.

Foi incluído no Atlantica: Arte Contemporânea de Angola e sua diáspora) produzido por Hangar Books. Em 2018, foi selecionado para a secção curatorial “Tomorrow/Today” da Cape Town Art Fair, onde apresentou um projeto a solo juntamente com uma performance. Para a Bienal de Dakar 2018, o proeminente curador Simon Njami incluiu o seu mais recente trabalho Ilundu (1/24), parte de um projeto em curso. Em 2016, Januário foi premiado com o Art Laguna Prize na categoria selecionada “Business for Art”, um dos mais prestigiados prémios de arte em Veneza, Itália. Participou na exposição coletiva “UNORTHODOX”, com curadoria de Jens Hoffman e Kelly Taxter, no Museu Judaico, em Nova Iorque, EUA. Januário Jano é membro fundador do Coletivo Cultural Pés Descalços e mentor e organizador do TEDxLuanda, desde 2012 até ao presente.

Joël Andrianomearisoa

Nasceu em Antananarivo / Madagáscar, em 1977.

Vive e trabalha entre Antananarivo e Paris.

Andrianomearisoa tem participado em várias exposições coletivas, incluindo Africa Remix, Rencontres Africaine de la Photographie em Bamako (2009); a Bienal de Havana (2006); The progress of love, Coleção Menil, em Houston (2012); e a Divina Comédia (2014), entre outros.

As suas exposições individuais incluem Bir Gece, a one-night performance and installation in Istanbul (2004); Habillé – Deshabillé, uma performance/peça em vídeo no Museu de Arte Moderna em Estocolmo e Saint-Brieuc (2009); Sentimental na la Maison Revue Noire em Paris (2013).

Em 2019, representou Madagascar na 58ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza.

Keyezua

Nasceu em Angola, em 1988.

Formada pela Academia Real de Artes de Haia (Holanda), a artista explora a Renascença Africana enquanto forma contemporânea de contar histórias.

A arte de Keyezua aborda histórias individuais, representadas em filmes, pinturas, poemas e esculturas. Ela acredita que um artista africano só pode quebrar a imagem contaminada, estigmatizada e preconceituosa de África através dos meios de comunicação, quebrando o silêncio e os estereótipos instalados.

O trabalho de Keyezua já foi incluído em exposições e eventos como o Festival Afro Vibes (Holanda), o Festival Lagos Photo (Nigéria), o Festival Addis Photo (Etiópia), Something About Bodies (Inglaterra), entre outros.

Kiluanji Kia Henda

Nasceu em Luanda / Angola, em 1979.
Atualmente, vive e trabalha entre Luanda e Lisboa.

Mais

Utiliza um surpreendente sentido de humor no seu trabalho, privilegiando temas ligados à identidade, à política e a perceções do pós-colonialismo e modernismo em Africa.

Mais

Trabalhando no campo da fotografia, vídeo e performance, Kia Henda aliou a sua abordagem multidisciplinar a uma crítica acentuada. Como ponto de partida para este domínio foi fundamental o facto de ter crescido no seio de uma família de entusiastas da fotografia.

Além do mais, a sua vertente conceptual foi aprimorada ao imergir na música, no teatro de vanguarda, e ao colaborar com um coletivo de artistas emergentes da cena artística de Luanda. Em cumplicidade com o legado histórico, Kia Henda reconhece o processo de apropriação e manipulação de espaços e estruturas públicos, bem como as diferentes representações que fazem parte memória coletiva, como um aspeto relevante da sua construção estética.

Regista exposições individuais em galerias e instituições em todo o mundo. O seu trabalho foi apresentado nas Bienais de Veneza, Dakar e São Paulo, assim como em grandes exposições itinerantes tais como Making Africa: A Continent of Contemporary Design e The Divine Comedy: Heaven, Hell, Purgatory revisitada por artistas africanos contemporâneos.

Kiripi Katembo Siku

Nasceu em Goma / República Democrática do Congo, em 1979.
Morreu em Kinshasa / República Democrática do Congo, em 2015.

Quando iniciou os seus estudos em pintura, Kiripi Katembo, no início da sua carreira artística começou desde logo a trabalhar em fotografia, vídeo e filme.

Demonstrando uma forte sensibilidade poética e estética, o seu trabalho dilui fronteiras formais entre pintura e fotografia. A técnica de espelho de Katembo, bem visível na sua série fotográfica Un regard (2008-2009), capta pequenos apontamentos das ruas de Kinshasa através dos reflexos dos charcos. As suas fotografias e curtas-metragens abordam a realidade económica e política da capital, e ao mesmo tempo transmitem momentos de intensa serenidade.

O trabalho de Katembo foi apresentado em Beauté Congo – 1926-2015 – Congo Kitoko, Fondation Cartier pour l’art Contemporain, em Paris (2015), Kiripi Katembo Siku: Mutation, Galleri Flach, Estocolmo (2014) e no 4º Festival Internacional de Fotografia, em BOZAR, Bruxelas (2012).

Mónica de Miranda

Nasceu no Porto / Portugal, em 1976.
Possui antecedentes angolanos.

Mais

Trabalha de uma forma interdisciplinar através do desenho, instalação, fotografia, filme, vídeo e som, nas suas formas alargadas e na fronteira entre ficção e documentário.

Mais

É formada em artes visuais pela Camberwell College of arts (Londres, 1998); tem um mestrado em arte e educação pelo Institute of Education (Londres, 2000) e um doutoramento em artes visuais da University of Middlesex (Londres, 2014). Recebeu o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Atualmente, está a desenvolver o seu projeto de investigação: Pós- arquivo no CEC (Centro de Estudos Comparatistas, Universidade de Lisboa).

Foi nomeada para o Prémio Novo Banco Photo e expôs no Museu Berardo (Lisboa, 2016). Foi também indicada para o Prémio Prix Piclet Photo Award (2016).

Moshekwa Langa

Nasceu em Bakenberg, Limpopo / África do Sul, em 1975.

Ocupa atualmente uma residência na Cité internationale des arts, em Paris, França.

Deriva de uma vida itinerante em Amsterdão, Berlim e Paris; em resultado das suas experiências contrastantes por ter crescido na África do Sul, o artista questiona a sua própria posição socorrendo-se de quase todos os meios artísticos à sua disposição. Através da pintura, do vídeo, do desenho, da instalação, da escultura e da fotografia, cria um índice contínuo de itens e observações.

As exposições individuais incluem: Museu Boijmans van Beuningen, em Roterdão, NL (1998), Centro de Arte Contemporânea, em Genebra, CH (1999); Renaissance Society, em Chicago, EUA (1999); Centro de Arte Contemporânea, Cincinnati, EUA (2003); Kunstverein Dusseldorf, Alemanha (2004); National Museu de Artes do séc. XXI (MAXXI), Roma, IT (2005); Modern Art Oxford, Reino Unido (2007), Kunsthalle Bern, Suíça (2011); Krannert Art Museum em Champaign, Illinois, EUA (2013); ifa Galleries, Estugarda e Berlim, Alemanha (2014). Recentemente, Langahas participou em exposições coletivas: Le nouvel atelier, Fundação Louis Vuitton, Paris, França (2017); Afriques Capitales, Gare Saint Sauveur, Lille, França (2017). Também participou em diversas bienais: Joanesburgo (1997), Istambul (1997), Havana (1997), São Paulo (1998 e 2010), Gwangju (2000), Veneza (2003 e 2009), Lion (2011).

Foi selecionado por Simon Njami para participar na edição de 2018 da Bienal Dakar, e por Gabi Ngcobo para participar na 10ª Bienal de Berlim. As coleções públicas incluem o Conselho Metropolitano de Transição de Joanesburgo, a Sandton Municipal Art Gallery, em Joanesburgo; a Galeria Nacional da África do Sul na Cidade do Cabo, O Museu de Arte Moderna, em Nova Iorque; o Walker Art Centre, em Minneapolis, e o Museu Maxxi, em Roma.

Mounir Fatmi

Nasceu em Tânger / Marrocos, em 1970.
Vive e trabalha em Paris.

Mounir constrói espaços visuais e jogos linguísticos que visam libertar o espetador de preconceitos sobre política e religião, permitindo-lhes contemplar estes e outros temas de novas formas.

Os seus vídeos, instalações, desenhos, pinturas e esculturas revelam as nossas dúvidas, medos e desejos. Utilizando materiais como cabos de antena, máquinas de escrever e fitas de VHS, Mounir Fatmi elabora uma arqueologia experimental que questiona o mundo e o papel do artista numa sociedade em crise. Ele distorce os seus códigos e preceitos através do prisma de uma trindade que abrange a Linguagem, a Arquitetura e a Máquina. Desta forma, questiona os limites da linguagem e da comunicação, ao mesmo tempo que reflete sobre estes materiais obsoletos e o seu futuro incerto.

A sua obra foi apresentada em diversas exposições individuais, no Museu Picasso, War and Peace, Vallauris, no Centro de Arte Contemporânea Le Parvis. Participou em várias exposições coletivas no Centro Georges Pompidou, em Paris, no Museu do Brooklyn, em Nova Iorque. As suas instalações foram selecionadas em bienais como a 52ª e a 54ª Bienal de Veneza, a 8ª bienal de Sharjah. Mounir Fatmi foi consagrado com diversos prémios, como o Prémio da Bienal do Cairo em 2010, o Grand Prize Leopold Sedar Senghor da 7ª Bienal de Dakar, em 2006.

Pascale Marthine Tayou

Nasceu em Nkongsamba / Camarões, em 1966.

Vive e trabalha em Ghent, na Bélgica e em Yaoundé, na República dos Camarões.

Desde o início dos anos 90 e da sua participação na Documenta 11 (2002) em Kassel e na Bienal de Veneza (2005 e 2009) que Pascale Marthine Tayou é internacionalmente conhecido.

A sua obra é caraterizada pela variabilidade, uma vez que o artista não se limita, no seu trabalho, nem a um meio de expressão nem a um particular conjunto de temas. Embora as suas temáticas possam ser variadas, todas usam o próprio artista enquanto pessoa como ponto de partida. Logo no início da sua carreira, Pascale Marthine Tayou acrescentou um “e” ao seu nome próprio e ao do meio, dando-lhe uma terminação feminina, distanciando-se desta forma e de maneira irónica da importância da autoria artística e dos atributos masculino/feminino. O mesmo se aplica igualmente a origens geográficas ou culturais específicas. Os seus trabalhos não só caminham nesse sentido entre culturas, ou colocam o homem e a natureza em relações ambivalentes entre si, como são produzidos no pressuposto assumido de que se trata de construções sociais, culturais ou políticas. O seu trabalho é deliberadamente móvel, esquivo a um esquema pré-concebido e heterogéneo. Liga-se intimamente à ideia de viajar e de entrar em contato com o que é diferente do eu, e é tão espontâneo que quase parece casual. Os objetos, esculturas, instalações, desenhos e vídeos realizados por Tayou têm uma caraterística recorrente em comum: debruçam-se sobre um indivíduo que se move pelo mundo explorando a temática da aldeia global. E é neste contexto que Tayou aborda as suas origens africanas e as perspetivas relacionadas.

Teresa Kutala Firmino

Nasceu em Pomfret / África do Sul, em 1993.

Nasceu em Pomfret, uma cidade recôndita situada numa província a noroeste da África do sul, para onde foram transferidos soldados angolanos que lutaram ao lado de forças sul-africanas.

Mais tarde, o seu pai ingressou na Força de Defesa Sul-Africana, permitindo que Firmino passasse os anos de escolaridade em Zeerust e Joanesburgo.

Ingressou na Universidade de Witwatersrand, onde obteve o Mestrado em Belas Artes, em 2018.

A narrativa atual de Firmino contempla um tema mais abrangente, questionando a história. “A forma como a história é apresentada é geralmente tendenciosa e parcial, pelo que, para a entender melhor, eu reinvento o meu passado nesta suposta verdade.” As memórias de acontecimentos pessoais e históricos são agrupadas e representadas em cenas interiores que se apresentam como possibilidades e convites para reinventar a história.

Yinka Shonibare

Nasceu em Londres / Reino Unido, em 1962.

Mudou-se para Lagos, na Nigéria, aos três anos de idade. Regressou ao Reino Unido para estudar Belas Artes na Byam Shaw School of Art, no London and Goldsmiths College, em Londres, onde obteve o Mestrado em Belas Artes.

Na última década, tornou-se famoso pela sua exploração do colonialismo e do pós-colonialismo no contexto contemporâneo da globalização. Ao trabalhar com pintura, escultura, fotografia, cinema e instalação, a obra de Shonibare analisa raça e classe, e a construção da identidade cultural por meio de comentários políticos incisivos sobre uma emaranhada inter-relação entre a África e a Europa, e respetivas histórias políticas e económicas. Shonibare utiliza citações irónicas da história da arte e da literatura ocidental para questionar a validade das identidades culturais e nacionais contemporâneas.

Em 2002, foi contratado por Okwui Enwezor para criar uma das suas instalações mais reconhecidas, Gallantry and Criminal Conversation para a Documenta XI. Em 2004, foi nomeado para o prémio Turner e, em 2008, a pesquisa a meio da sua carreira começou no Museu de Arte Contemporânea, em Sydney passando pelo Museu do Brooklyn, em Nova Iorque, e pelo Museu de Arte Africana, no Instituto Smithsoniano, em Washington D.C. Em 2010, a sua primeira encomenda de arte pública, Nelson’s Ship in a Bottle, foi apresentada no Fourth Plinth em Trafalgar Square, em Londres. Em 2013, Shonibare foi eleito Académico Real. Os trabalhos apresentados recentemente na Academia Real incluíram o Álbum de Família da AR, usado para envolver os Jardins de Burlington durante a remodelação da Academia Real, e a sala da qual foi curador, como parte da Exposição de Verão da Academia Real de2017. A sua escultura Wind Sculpture VI também foi apresentada no pátio da Academia Real durante a exposição.

A nova produção de Shonibare com o Public Art Fund, Wind Sculpture (SG) I, está atualmente em exposição no Doris C. Freedman Plaza, no Central Park (até 14 de outubro de 2018.

O seu trabalho está presente em coleções notáveis de museus, incluindo o Tate, em Londres; o Museu Nacional de Arte Africana, o Instituto Smithsoniano, em Washington D.C.; o Museu de Arte moderna, em Nova Iorque; no Moderna Museet, em Estocolmo e no Museu de Arte contemporânea, em Chicago, entre outros.

Yonamine

Nasceu em Angola, em 1975.
Viveu em Angola, Zaire (R.D.C.), Brasil e Reino Unido.

Atualmente, Yonamine vive no Zimbabwe e trabalha entre Harare, Luanda, Lisboa e Berlim.

A prática artística diversificada e prolífica de Yonaminec inclui a pintura, o desenho, o grafiti, a fotografia, o vídeo, e outros meios, como tatuagens e arte corporal. Estas instalações multimédia são diários pessoais e explorações da história e da política africana.

Atualmente, o seu trabalho expressa-se através de instalações complexas, amplos murais, fotografia e vídeo. Nestes trabalhos, justapõe-se uma vasta gama de objetos e materiais, como jornais, serigrafias, desenhos, colagens e traços, onde se sobrepõem imagens da cultura popular, filmes americanos, personalidades que povoam as massas e figuras políticas mundiais e do continente Africano. Nesta imensa mistura, o artista constrói um vocabulário peculiar sobre essas referências e as suas posições.

Zanele Muholi

Nasceu em Umlazi / África do Sul, 1972.

Zanele é uma artista visual activista, trabalha com fotografia, vídeo e instalação. O trabalho de Muholi foca-se em temas como raça, género e sexualidade, tendo feito várias produções ligadas a lésbicas negras, gays, transgéneros e pessoas intersex.

Muholi foi selecionada para o Prémio Deutsche Börse de Fotografia em 2015.
Recebeu o Prémio Infinito do Centro Internacional de Fotografia em 2016, o grau de Chevalier da Ordem das Artes e Letras, assim como uma bolsa honorária da Royal Photographic Society em 2018.

Muholi participou e concluiu, em 2003, o curso de fotografia avançada oferecido pela “Market Photo Workshop School of Photography” de Newtown, em Joanesburgo.

Em 2004, realizou a sua primeira exposição individual na Galeria de Arte de Joanesburgo. Em 2009, ela recebeu o seu diploma de Mestre da Ryerson University em Toronto. A sua dissertação mapeou a história visual da identidade lésbica negra e da política na África do Sul pós-Apartheid.

Muholi pesquisa e documenta histórias de crimes de ódio contra a comunidade LGBTQIAP+ a fim de trazer à tona as práticas de “estupro corretivo”, agressão e HIV / AIDS.
Em 28 de outubro de 2013, Muholi tornou-se professor honorário de vídeo e fotografia na University of the Arts Bremen, Alemanha.
Em 2014, ela participou da Indaba Design Conference na Cidade do Cabo, em 2017, foi uma das palestrantes do WorldPride.

A fotografia de Muholi foi comparada à de W.E.B. Du Bois - como uma forma de subverter representações estereotipadas de afro-americanos. Ambos criam um arquivo de imagens, onde trabalham para desmontar perceções preexistentes e dominantes dos temas que escolhem retratar nas suas fotografias.

Zoulikha Bouabdellah

Nasceu em Moscovo, em 1977.

É uma artista franco-argelina, a trabalhar e a viver em Casablanca, Marrocos.

Cresceu em Argel e mudou-se para França em 1993. Formou-se na Ecole Nationale Superieure d'Arts de Cergy-Pontoise, em 2002.

As obras de Zoulikha Bouabdellah – através da instalação, desenho, vídeo e fotografia – lidam com os efeitos da globalização e questionam as suas representações com humor e subversão. Em 2003, dirigiu o vídeo Let's Dance (Dansons), no qual mistura os arquétipos da cultura francesa e argelina, através da execução de uma dança do ventre ao som da Marselhesa. No mesmo ano, o seu trabalho foi publicado em Experiments na Arab Avant-garde na Cinémathèque Francesa (Paris). Em 2005, Zoulikha Bouabdellah participou na exposição de referência Africa Remix no Centro Georges Pompidou (Paris), em 2008 no festival Paradise Now! Essential Avant-Garde French Cinema 1890-2008 no Tate Modern (Londres).

Desde 2007, os trabalhos de Bouabdellah concentram-se em cartas e palavras de amor e, principalmente, no estatuto da mulher. Feitos com diversos materiais -papel, acrílico, alumínio, néon, madeira, os seus trabalhos funcionam como slogans e estabelecem laços entre o Norte e o Sul, entre a alegria e a tristeza, entre o prazer e a dor, entre o visível e o não contado.